O princípio da variação: tema, chacona e passacaglia
HISTÓRIA DA MÚSICA
Ornamento e reexposição transformada: ferramenta pedagógica para variações de árias e cadências em aula de canto.
Fonte Jean Mislin · Musicólogo, organista e regente de coro · professor de Adeline Toniutti No âmbito das pesquisas de Adeline Toniutti
O que é a variação na música?
A variação é o princípio pelo qual, após a audição de uma frase ou tema, o compositor os retoma com transformações, respeitando a estrutura métrica inicial (muitas vezes 4, 8 ou 16 compassos). Presente do barroco ao século XX, manifesta-se como gênero autônomo (tema e variações), como plano de um movimento (sonata, quarteto, sinfonia) ou sobre baixo obstinado (chacona, passacaglia). Para o cantor, é o modelo do ornamento e da reexposição transformada.
Definição: tema, tipos de variação e ostinato
O tema é uma ideia melódica, rítmica ou harmônica característica, de dimensões variáveis, fundada em um ou vários motivos formados por células. A variação apresenta esse motivo ou tema de forma diferente. Distinguem-se a variação melódica (ornamental), amplificadora (alargamento dos intervalos), harmônica, contrapontística, instrumental ou orquestral e a de caráter. Procedimentos afins: a eliminação (supressão de notas constitutivas) e a amplificação de intervalos.
O ostinato é uma fórmula harmônica, melódica ou rítmica repetida com obstinação, quase sempre no baixo (baixo obstinado). A partita, termo barroco de sentidos diversos, pode designar uma série de variações, uma suíte instrumental ou uma peça em geral. Esses marcos ligam-se ao glossário de cultura musical útil ao cantor.
Chacona e passacaglia: o tema no baixo
Quando o tema variado se apresenta no baixo, fala-se muitas vezes de chacona ou de passacaglia, com estrutura de 4, 8 ou 16 compassos. A passacaglia é ao mesmo tempo um movimento de dança sobre baixo obstinado e uma composição de forma rondó ou de variações, semelhante à chacona, construída sobre um tema (em geral de 8 compassos) repetido continuamente. Na suíte instrumental, o princípio atravessa certas danças lentas a três tempos: um fundamento harmônico dado pelo baixo, sobre o qual se desdobram as variações.
Em J.S. Bach, a célebre chacona da Partita para violino solo n.º 2 em ré menor ilustra a densidade possível sobre um ciclo de baixo repetido. O cantor encontra um modelo para ouvir o baixo e transformar progressivamente a linha superior, útil quando uma ária barroca se apoia em ostinato ou estrutura de dança.
Tema e variações como gênero independente
Como gênero autônomo, o tema e variações coloca o tema (muitas vezes em estrutura binária) na parte superior e encadeia reexposições transformadas. Exemplos canônicos: Ah vous dirai-je, maman de Mozart; as Variações sobre um tema de Haydn de Brahms; as Variações Diabelli de Beethoven; as Variações sobre um tema de Clément Janequin de Jehan Alain. Esses ciclos mostram como uma ideia simples se enriquece com ornamento, mudança de modo, ritmo, textura ou caráter.
Para o cantor, ouvir e analisar essas páginas forma o ouvido para a reexposição transformada: reconhecer o tema sob o disfarce, medir a densidade de ornamento, antecipar o retorno do modelo. É o mesmo gesto pedagógico das variações de árias e das cadências em aula de canto.
A variação como estrutura de movimento
O princípio de variação estrutura também um movimento dentro de outros gêneros: a sonata, o quarteto de cordas, a sinfonia. Exemplos: o segundo movimento da sonata n.º 23 Appassionata de Beethoven; o segundo movimento da Sinfonia n.º 94 de Haydn («a Surpresa»). O tema é enunciado e depois retomado com transformações de textura, dinâmica ou acompanhamento, sem abandonar a lógica da estrutura métrica.
No plano clássico de uma sonata ou sinfonia, o movimento lento pode adotar o tema e variações em vez da forma lied ou da forma sonata. O cantor lê um discurso: apresentar com clareza, transformar sem perder o fio, concluir com uma última reexposição muitas vezes mais ornamentada ou mais calma.
Ornamento, notas estranhas e reexposição transformada
O ornamento designa notas acrescentadas a uma linha melódica para embelezá-la: apojatura, mordente, trinado, grupeto. As notas estranhas (apojatura, retardo, nota de passagem, floreio, escapada, antecipação, pedale) enriquecem a harmonia sem pertencer ao acorde real. O floreio desenha um melisma em torno de um som do acorde; a apojatura, muito expressiva, ocupa quase sempre o lugar de uma nota real no tempo.
Essas ferramentas são o vocabulário concreto da variação melódica ornamental. No canto barroco e clássico, ornamentar uma ária, improvisar uma cadência ou variar a reexposição de um da capo aplica o mesmo princípio: transformar respeitando a armação. O vínculo. é direto: o ouvido aprende a ouvir o modelo sob o ornamento e a voz a produzi-lo sem romper o fôlego nem a linha.
Marcos cronológicos e obras-chave
- Barroco: chacona e passacaglia sobre baixo obstinado; partita como série de variações ou suíte; Bach (chacona da Partita n.º 2 para violino).
- Classicismo: tema e variações (Mozart, Ah vous dirai-je, maman); movimento lento em variações (Haydn, Sinfonia n.º 94 «Surpresa»).
- Beethoven: Variações Diabelli; 2º movimento da sonata Appassionata.
- Romantismo: Brahms, Variações sobre um tema de Haydn.
- Séc. XX: Jehan Alain, Variações sobre um tema de Clément Janequin; o princípio permanece ativo.
Perguntas frequentes sobre a variação
Qual é a definição de variação na música?
Apresentação de um motivo ou tema de forma diferente, respeitando em geral a estrutura métrica inicial; forma ou princípio presente do barroco ao século XX.
Qual a diferença entre chacona e passacaglia?
Ambas se baseiam muitas vezes em um baixo obstinado e um tema de 4 a 16 compassos; a passacaglia é também uma dança sobre baixo obstinado e uma forma próxima do rondó ou das variações, semelhante à chacona.
Que tipos de variação existem?
Melódica (ornamental), amplificadora, harmônica, contrapontística, instrumental ou orquestral e de caráter; mais procedimentos como a eliminação de notas.
Onde a variação aparece fora do «tema e variações»?
Em um movimento de sonata, quarteto ou sinfonia, e nas danças lentas da suíte (chacona, passacaglia) sobre fundamento harmônico no baixo.
Em que a variação ajuda o cantor?
Forma o ouvido para o ornamento e a reexposição transformada: árias, da capo, cadências, mantendo estrutura e fôlego.
PARA IR ALÉM
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Fontes e citações
Referências e citações para aprofundar o tema.
- Jean Mislin: musicólogo, organista e regente de coro, professor de Adeline Toniutti. Notas no âmbito das pesquisas de Adeline Toniutti.
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