Os Mestres Cantores de Nurembergue

HISTÓRIA DA MÚSICA

Enredo, leitmotive e ofício do cantor: a comédia de Wagner sobre maestria, tradição e invenção, caso de estudo CALYP.

Fonte Jean Mislin · Musicólogo, organista e regente de coro · professor de Adeline Toniutti No âmbito das pesquisas de Adeline Toniutti

Os Mestres Cantores de Wagner: do que se trata?

Die Meistersinger von Nürnberg (Os Mestres Cantores de Nurembergue) é uma ópera de Richard Wagner, composta entre 1851 e 1867 e estreada em 21 de junho de 1868 em Munique sob a regência de Hans von Bülow. Ambientada em Nurembergue em meados do século XVI, é a única grande comédia de Wagner e uma ópera sobre a arte do canto: regras, improvisação, inspiração e tradição. Para o cantor, é um laboratório de resistência, dicção e.

Personagens e elenco

O elenco reúne mestres, aprendizes e apaixonados em torno de um concurso de canto. Entre os mestres: Hans Sachs (sapateiro-poeta), Sixtus Beckmesser (secretário municipal, o pedante) e Veit Pogner (ourives, pai de Eva), mais nove papéis menores. Diante deles: Walther von Stolzing, jovem cavaleiro da Francônia; David, aprendiz de Sachs; Eva, filha de Pogner, prêmio do concurso; Magdalena, sua ama.

Os mestres cantores históricos uniam poesia e música, às vezes dominando a improvisação de poemas e melodias. Wagner transforma a guilda em espelho da criação: quem fixa as regras e quem ainda inventa?

Enredo em três atos

Ato I. Walther, amado por Eva, sabe que ela se casará com o vencedor do concurso dos mestres. David explica a tablatura, código rígido para se tornar mestre. Beckmesser, que cobiça Eva, marca com giz as faltas de Walther; só Sachs ouve a novidade promissora do canto do cavaleiro.

Ato II (noite de verão). Eva confia a Sachs o seu fracasso; ele a ama, mas sabe-se velho demais e decide ajudar os jovens. Na serenata de Beckmesser, Sachs marca cada erro com um golpe de martelo na bigorna. Tumulto da vizinhança; Sachs impede a fuga dos amantes. A trompa do vigia fecha o ato sob o luar.

Ato III. Sachs medita sobre as vaidades do mundo. Walther conta um sonho de beleza ideal; Sachs ensina-lhe a conciliar inspiração livre e regras. Beckmesser se apossa do texto rabiscado, ridiculariza-se no concurso e acusa Sachs. Walther triunfa; Eva o coroa e depois deposita a coroa sobre Sachs, guardião da tradição alemã.

Leitmotive e estilo: de Tristão à apoteose diatônica

Após o cromatismo de Tristão e Isolda, Os Mestres Cantores oferecem uma apoteose diatônica: Lucien Rebatet viu neles o exemplo mais espantoso da plasticidade do gênio de Wagner. Um tema solene dos mestres abre o tecido motivico; os leitmotive se superpõem, se transformam e nutrem a orquestra (leiten = conduzir, Motiv = motivo).

A melodia contínua apaga a fronteira recitativo / ária: a unidade é a cena, não o número. A orquestra comenta sem esmagar a voz. No romantismo alemão, a obra é comédia de costumes e manifesto: elogio da arte alemã, espírito contra a letra, inspiração contra o pedantismo oco (Walther contra Beckmesser). Wagner se identifica ao mesmo tempo com Walther (ideias novas) e com Sachs (melhor guardião da tradição).

Marcos cronológicos

  • 1851-1867: composição dos Mestres Cantores (projeto longo, entrecruzado com Tristão e a Tetralogia).
  • 21 de junho de 1868: estreia em Munique, regência Hans von Bülow.
  • Nurembergue, meados do século XVI: cenário da ação (guildas e concurso de canto).
  • 1864-1876: apoio de Luís II da Baviera; primeiro festival de Bayreuth.

Gênero: ópera cômica em três atos. Compositor e libretista: Richard Wagner. Estreia: Munique, 1868.

FAQ sobre Os Mestres Cantores

Quando estrearam Os Mestres Cantores?

Em 21 de junho de 1868 em Munique, sob a regência de Hans von Bülow, após composição de 1851 a 1867.

Quem é Hans Sachs?

Sapateiro-poeta e mestre cantor, figura central: ama Eva mas é velho demais; ajuda Walther e defende a tradição da arte alemã.

O que simbolizam Walther e Beckmesser?

A inspiração livre e inventiva frente ao pedantismo das regras vazias: o espírito contra a letra do código dos mestres.

Por que a obra interessa aos cantores de hoje?

É uma ópera sobre o canto: concurso, regras, improvisação e público. Forma resistência, dicção e inteligência do estilo wagneriano.

Qual a ligação com Tristão?

Após o cromatismo de Tristão, Rebatet sublinha a apoteose diatônica imprevisível dos Mestres Cantores, prova da plasticidade de Wagner.

PARA IR ALÉM

No cluster de história da música

Fontes e citações

Referências e citações para aprofundar o tema.

  • Jean Mislin: musicólogo, organista e regente de coro, professor de Adeline Toniutti. Notas no âmbito das pesquisas de Adeline Toniutti.
  • L. Rebatet: sobre Os Mestres Cantores como o exemplo mais espantoso da plasticidade do gênio de Wagner, apoteose diatônica após o cromatismo de Tristão.
  • Notas de curso (enredo, personagens, estreia 1868): Hans Sachs, Beckmesser, Pogner, Walther, David, Eva, Magdalena; Munique, Hans von Bülow.
  • Lucien Rebatet, Une Histoire de la musique: sobre o leitmotiv que nutre a trama sinfônica, não um simples «cartão de visita».

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