François Couperin

HISTÓRIA DA MÚSICA

Cravo, pequenos motetos e arte do toque: biografia, ordres e estilo barroco francês de Couperin le Grand.

Fonte Jean Mislin · Musicólogo, organista e regente de coro · professor de Adeline Toniutti No âmbito das pesquisas de Adeline Toniutti

François Couperin: o essencial

François Couperin (Paris, 1668-1733), chamado o Grande, é o grande mestre francês do cravo sob Luís XIV. Organista de Saint-Gervais e depois da Capela real, compõe quatro livros de ordres (suítes), missas de órgão, sonatas de câmara e as Trois Leçons de Ténèbres. Seu estilo une dança francesa, ornamento e gosto italiano (Corelli), no centro do barroco francófono.

Paris, Saint-Gervais e a Capela do rei

Nascido em Paris numa família de músicos, tem o pai organista em Saint-Gervais, posto já ocupado pelo tio Louis Couperin. Não faz estudos gerais e cedo se prepara para suceder o pai. Este morre quando François tem onze anos: o interino fica com Delalande.

Aperfeiçoa-se com Thomelin, compositor da câmara do rei, e descobre Titelouze, Frescobaldi, Nivers e Le Bègue. Organista titular em 1689, ouve música italiana (Albinoni, Corelli) nas casas nobres. Após a morte de Thomelin, Luís XIV o escolhe organista de sua Capela; também ensina cravo a príncipes e princesas. Em 1723 transmite Saint-Gervais ao primo Nicolas; em 1730 cede o posto real a Guillaume Marchand e se retira. Morre em 1733.

Estilo: síntese francesa e italiana

A obra de Couperin não tem o caráter monumental de Bach ou Vivaldi. Exceto a ópera, praticou todos os gêneros de seu tempo, mas prefere formas de dimensões reduzidas: sonatas a três, motetos a duas ou três vozes, peças de cravo. Na corte, Delalande reserva a música religiosa de grande efetivo; Couperin fica nos pequenos motetos.

Influenciado por Lully e Corelli (duas apoteoses), por Charpentier e Albinoni, busca uma síntese: a França lhe dá o verticalismo da escrita, o sentido da dança e o canto ornamentado; a Itália, a simetria, a construção, o cromatismo e a dissonância. «Gosto muito mais do que me toca do que do que me surpreende»: a expressão vem antes do efeito. Como Monteverdi, Carissimi ou Bach, adapta a música ao texto (Leçons de Ténèbres, títulos das peças de cravo).

Os 27 ordres e L'Art de toucher le clavecin

Quatro livros (1713, 1717, 1723, 1730) reúnem 27 ordres, o termo francês da suíte. No primeiro livro a cadeia Allemande-Courante-Sarabande-Gigue permanece legível; no segundo a «desordem» é quase total, mas cada ordre guarda unidade profunda (muitas vezes 7 a 10 peças). Estruturas dominantes: binária e rondeau.

A maioria das peças tem título descritivo, «espécies de retratos». O sexto ordre (si bemol maior): Les Moissonneurs, Les Langueurs tendres, Le Gazouillement, La Bersan, Les Barricades mystérieuses, Les Bergeries, La Commerre, Le Moucheron. L'Art de toucher le clavecin exige executar os ornamentos marcados à letra.

Cronologia e obras-chave

  • 1668: nascimento em Paris; linhagem de organistas (Louis Couperin, Saint-Gervais).
  • c. 1679: morte do pai; interino de Delalande; formação com Thomelin.
  • 1689: organista titular de Saint-Gervais.
  • 1690: Messe pour les Paroisses e Messe pour les Couvents (órgão).
  • 1713-1730: quatro livros, 27 ordres; L'Art de toucher le clavecin.
  • 1714: Trois Leçons de Ténèbres.
  • 1723-1730: cede Saint-Gervais e o posto real; morte em 1733.

Câmara: sonatas em trio (La Pucelle, La Steinkerque, La Visionnaire, L'Astrée, La Superbe) e quarteto La Sultane. Didática: Règle pour l'accompagnement, L'Art de toucher le clavecin. Ver também órgão e Rameau.

FAQ sobre François Couperin

Onde e quando nasceu Couperin?

Em Paris em 1668, numa família de organistas ligada a Saint-Gervais. Morre em 1733.

O que é um «ordre» em Couperin?

O nome que dá às suas suítes para cravo: 27 ordres em quatro livros (1713-1730), muitas vezes com títulos descritivos e forma binária ou rondeau.

Quais são suas obras vocais maiores?

Os pequenos motetos e sobretudo as Trois Leçons de Ténèbres (1714), modelo de adaptação música-texto no barroco francês.

Como o estilo une França e Itália?

Dança, verticalismo e ornamentos franceses de um lado; simetria, construção e dissonância italianas (Corelli, Albinoni) do outro, com duas apoteoses dedicadas a Lully e Corelli.

Por que estudar Couperin hoje?

Ordres, ornamento, Leçons de Ténèbres e arte do toque: um laboratório do gosto barroco francês.

PARA IR MAIS LONGE

No conjunto de história da música

Fontes e citações (notas de curso)

Atribuições das notas de cultura musical usadas nesta página. Fonte pedagógica: Adeline Toniutti / CALYP.

  • Couperin: prefere o que toca ao que surpreende.
  • Prefácio do primeiro livro: títulos como «espécies de retratos» dos amáveis originais.
  • L'Art de toucher le clavecin: ornamentos não arbitrários; executar o que está marcado à letra.

Fontes e citações

Referências e citações para aprofundar o tema.

  • Jean Mislin: musicólogo, organista e regente de coro, professor de Adeline Toniutti. Notas no âmbito das pesquisas de Adeline Toniutti.

PARA IR ALÉM

No cluster de história da música

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Cantar o barroco francês com referências sólidas

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