O Messias de Handel

HISTÓRIA DA MÚSICA

Repertório de oratório imprescindível para coro e solistas: sopro, estilo barroco e aleluias na formação vocal, com a pedagogia de Adeline Toniutti no CALYP.

Fonte Jean Mislin · Musicólogo, organista e regente de coro · professor de Adeline Toniutti No âmbito das pesquisas de Adeline Toniutti

O que é o Messias de Handel?

O Messias (em inglês Messiah) é o oratório mais célebre de Georg Friedrich Handel (1685-1759). Composto em 1741 em poucas semanas e estreado em Dublin com sucesso considerável, é uma obra muito longa em três grandes partes, nas quais os coros têm lugar central. Para solistas e coralistas, é um laboratório de sopro, estilo barroco e resistência vocal.

Composição, estreia em Dublin e sucesso duradouro

Em 1741, Handel já havia migrado da ópera italiana para o oratório inglês. O Messias nasce em tempo recorde e se impõe de imediato. A estreia em Dublin e a difusão na Inglaterra o tornam monumento do repertório sagrado de concerto. Diferente da ópera, canta-se sem encenação nem figurinos: o drama passa pela música, pelo texto bíblico e pela força dos coros.

No fim do século XVIII e início do XIX, a obra continuou a ser interpretada com efetivos cada vez mais gigantescos, ganhando potência e perdendo nervo. Hoje voltou-se a uma interpretação mais próxima da de Handel: agilidade, clareza de linhas e coro presente sem massividade esmagadora.

Estrutura em três partes e narrativa evangélica

A obra tem três grandes partes e evoca a vinda de um Salvador como a apresentam os evangelhos: anúncio e Natividade, Paixão e Redenção, ressurreição e glória. O libreto reúne textos da Bíblia (Antigo e Novo Testamento) mais do que um enredo dramático contínuo de personagens inventados.

Essa arquitetura explica o peso dos coros e a sucessão de árias, recitativos e conjuntos. O cantor não interpreta um único papel cênico: carrega uma palavra sagrada, muitas vezes em inglês, que exige dicção, projeção e sopro longo. O célebre coro Hallelujah ilustra o auge dessa dramaturgia coral fora de cena.

Árias da capo, coros e estilo vocal barroco

As árias solistas costumam seguir a forma da capo (A-B-A'): seção A mais exuberante, B contida e interior, reprise A ornamentada. Essa forma, herdada da ópera italiana que Handel praticou em Londres, desenvolve agilidade, ornamentação e domínio da linha. Os coros comentam ou encarnam o povo das Escrituras, como em outros oratórios handelianos (Israel in Egypt, 1738-1739).

Handel sintetiza a influência do mestre Zachow (coros já dramáticos) e a dos músicos italianos (estadia 1706-1710). Para o cantor de hoje, o Messias une estilo barroco, ativa e resistência de um grande oratório de concerto.

Cronologia e oratórios vizinhos

  • 1685: nascimento de Handel em Halle; formação com Zachow.
  • 1706-1710: Itália (Scarlatti, Corelli); cantatas e linguagem da ária.
  • 1710-1737: Hanôver e depois Londres; óperas (Rinaldo, Orlando); virada para o oratório após 1737.
  • 1738-1739: Israel in Egypt, coro como personagem principal.
  • 1741: composição do Messias; estreia em Dublin, grande sucesso.
  • 1746-1751: Judas Maccabaeus, Jephtha (tema já tratado por Carissimi).
  • 1759: morte em Londres, sepultado na abadia de Westminster.
  • 1798: Haydn, impressionado pelos oratórios de Handel em Londres, escreve A Criação.

Entre os trinta e dois oratórios de Handel: Israel in Egypt, Messiah, Judas Maccabaeus, Jephtha.

FAQ sobre o Messias de Handel

Quando o Messias foi composto e estreado?

Em 1741, em poucas semanas; a estreia em Dublin teve grande sucesso, seguida de difusão duradoura na Inglaterra e no mundo.

Quantas partes tem a obra?

Três grandes partes, centradas na vinda do Salvador como a apresentam os evangelhos, com árias, recitativos e coros maiores.

Por que os coros são tão importantes?

Handel devolve ao coro um papel central, já afirmado em Israel in Egypt: comenta, age e sustenta a dramaturgia fora de cena.

O que é uma ária da capo no Messias?

Uma forma A-B-A': seção brilhante, seção mais interior, reprise ornamentada. Desenvolve agilidade, ornamentação e controle do sopro.

Em que o Messias serve ao cantor de hoje?

Resistência, dicção em inglês, estilo barroco e projeção de oratório de concerto: competências treinadas.

PARA IR ALÉM

No cluster de história da música

Fontes e citações

Referências e citações para aprofundar o tema.

  • Jean Mislin: musicólogo, organista e regente de coro, professor de Adeline Toniutti. Notas no âmbito das pesquisas de Adeline Toniutti.

PARA IR ALÉM

No cluster de história da música

PASSAR À PRÁTICA

Cantar o Messias com referências sólidas

Relacione coros, árias da capo e técnica vocal com a equipe CALYP de Adeline Toniutti.